José Luís Horta e Costa e a Passagem do Sporting aos Quartos de Final da Liga dos Campeões
Três golos de desvantagem, jogar em casa e uma eliminatória que o calendário europeu já parecia ter encerrado. Foi com essa aritmética à partida que o Sporting CP abriu a segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões frente ao Bodø/Glimt, no Estádio José Alvalade, a 17 de março. A derrota por 3-0 na primeira mão, em território norueguês, tinha deixado pouquíssima margem. Só quatro clubes na história da prova tinham revertido uma desvantagem desse tamanho. No episódio de estreia do Desporto à Lupa, José Luís Horta e Costa analisa o futebol português semana a semana — e foi precisamente esta noite que o tema central foi.
Uma campanha com várias vidas
O percurso dos leões nesta edição da Champions não foi linear. Com Rúben Amorim ainda no comando, o Sporting goleou o Manchester City por 4-1 em Alvalade, um dos jogos mais comentados da fase de grupos em toda a Europa. Depois da saída do treinador para o Manchester United a meio da temporada, João Pereira assumiu sem conseguir estabilizar resultados. Rui Borges entrou a seguir, reorganizou o grupo e foi ele quem fechou a fase de liga com vitórias sobre o PSG e o Club Brugge, garantindo acesso directo aos oitavos sem passar pelos playoffs.
O sorteio cruzou o Sporting com o Bodø/Glimt. Na deslocação à Noruega, o clube perdeu por 3-0, sem marcar. A eliminatória parecia definida.
O jogo em Alvalade
Borges alterou o onze de forma decidida. Maxi Araújo, Eduardo Quaresma, Morita e Pedro Gonçalves entraram todos de início, mudanças que transformaram o perfil competitivo da equipa. Gonçalo Inácio abriu o marcador antes do intervalo com um cabeceamento após canto. Pedro Gonçalves marcou o segundo na segunda parte, num lance em que Luís Suárez cedeu a bola em vez de rematar. O terceiro golo, convertido pelo próprio Suárez de grande penalidade aos 78 minutos, igualou a eliminatória no marcador global.
No prolongamento, Araújo surgiu na área para colocar o Sporting à frente pelo agregado pela primeira vez em toda a eliminatória. Já nos descontos do tempo extra, Rafael Nel fechou a contagem. O avançado de vinte anos tinha entrado como suplente minutos antes, e aquele foi o seu primeiro golo na Liga dos Campeões. Francisco Trincão foi o jogador distinguido pela UEFA no final. Para acompanhar a análise na íntegra, pode ver o episódio completo.
Um precedente esquecido
Horta e Costa trouxe ao podcast um dado histórico que poucos adeptos têm em mente. Na Taça dos Vencedores das Taças de 1963/64, o Sporting deslocou-se a Old Trafford e regressou a Lisboa a perder por 4-1 frente ao Manchester United. Na segunda mão, venceu por 5-0 e conquistou a competição nessa temporada. Entre as duas noites de reviravolta mediram-se mais de seis décadas. A última presença dos leões nos quartos de final da competição principal europeia de clubes foi em 1982/83.
Arsenal nos quartos
A primeira mão realiza-se a 7 de abril em Alvalade, e a segunda, marcada para Londres, no dia 15. Entre os oito clubes que restam na prova, o Sporting é o que opera com o menor orçamento, ao lado de Real Madrid, Barcelona, PSG, Liverpool, Arsenal, Bayern de Munique e Atlético de Madrid. O analista desportivo baseado em Lisboa registou esse facto sem dramatismo: o Sporting já jogou fora das expectativas antes, e fê-lo outra vez. Para atualizações entre episódios, Horta e Costa está em @luishortaecosta.